segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Existe relação da capacidade de sprints repetidos intermitentes com a aptidão aeróbia em jogadores de futsal?

Autores: Paulo Cesar do Nascimento; Juliano Fernandes da Silva; Priscila Cristina dos Santos; Luiz Guilherme antonacci Guglielmo.


INTRODUÇÃO
A relação entre aptidão aeróbia e a capacidade de sprints repetidos (CSR - sprints máximos com duração <10s e com intervalo <60s) – (GIRARD et al., 2011) tem sido demonstrada na literatura (SILVA et al., 2011). Contudo, a duração dos estímulos e o tempo de recuperação entre os sprints parecem apresentar influência nesta associação (GIRARD et al., 2011). Dessa forma, o objetivo deste estudo foi verificar se a capacidade (segundo limiar ventilatório - LV2) e a potência aeróbia (consumo máximo de oxigênio – VO2max; Pico de velocidade – PV) estão relacionadas com a CSR a partir de um teste com sprints longos (~10s) e recuperação longa (~60s) em jogadores amadores de futsal.

MATERIAIS E MÉTODOS
Participaram deste estudo 15 atletas amadores de futsal (idade 21,9 ± 6,1 anos; estatura 178,3 ± 6,2 cm; massa 75,1 ± 9,8 kg, % de gordura 13,8 ± 3,7 %) que realizaram um teste incremental de rampa para determinar o LV2, VO2max e o PV e; o teste de capacidade de CSR para determinar o melhor tempo (MT), tempo total (TT) e o índice de fadiga (IF) calculado da seguinte forma: [100* (TT/MT *6)] - 100. O teste de rampa em esteira iniciou na velocidade de 6,0 km.h-1 com incrementos de 0,5 km.h-1 cada 30s até exaustão voluntária. Os dados coletados respiração a respiração (COSMED, Quark) foram colocados em médias de 15 s. Avaliou-se o comportamento do volume de gás carbônico expirado (VCO2) plotado versus o oxigênio inspirado (VO2) (método V-slope) e, os equivalentes ventilatórios de O2 (VE/VO2) e do CO2 (VE/VCO2) plotados versus o tempo para encontrar o LV2. A maior média de 15 s foi considerada o VO2max. O PV foi considerado a maior velocidade atingida durante o teste. O teste de CSR consistiu de seis sprints de 40 m com mudança de sentido de 180º a cada 10 m e recuperação passiva de 60 s entre cada sprint. Antes da realização do teste os atletas executaram um aquecimento padronizado com diferentes deslocamentos, alongamentos e alguns sprints curtos com duração de 15 minutos.  Os tempos foram obtidos por meio de um par de fotocélulas (Speed test, CEFISE 4.0) e durante todo o teste a frequência cardíaca (FC) foi mensurada por meio de um frequêncimetro (Polar). No final do teste foram coletadas amostras de sangue capilar (25 µL) do lóbulo da orelha nos minutos três e cinco para verificar as concentrações de pico do lactato sanguíneo ([La]). As amostras foram armazenadas em microtubos (Eppendorff) contendo 50 μL de solução de NaF 1% e armazenado em gelo. A análise foi realizada por intermédio de um analisador bioquímico (YSI 2700, modelo Stat Select).  As análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS versão 17.0. Os dados são apresentados em média ± desvio padrão (DP). Foi utilizado o teste Shapiro Wilk para verificar a normalidade dos dados (n < 50) e a correlação linear de Pearson para verificar as possíveis correlações entre as variáveis. Nível de significância adotado de 5 %.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os valores encontrados durante os testes de rampa para o LV2, VO2max e PV foram 14,1 ± 0,9 Km.h-1; 57,2 ± 4,8 ml.kg.min-1 e; 17,9 ± 1,2 Km.h-1, respectivamente. Os valores de performance obtidos durante o teste de CSR foram os seguintes: MT = 9,46 ± 0,25 s; TT = 58,34 ± 2,90 s; IF = 1,67 ± 0,70 %. A FC final do teste de CSR foi 170 ± 9 bpm. As [La] foram 10,5 ± 2,4 m.mol.L-1. As correlações entre os índices de capacidade e potência aeróbia com as variáveis de performance do CSR estão apresentadas na tabela 1.  O MT mostrou ter uma correlação moderada com o PV, porém todas as outras variáveis de capacidade de sprints repetidos não mostraram associação com a aptidão aeróbia. Ainda, quando se analisou as possíveis relações dos tempos (MT e TT) e o IF com a FC final e as [La], apenas o IF demonstrou correlação com a FC final (r = 0,56; p = 0,02).


CONCLUSÕES
Apesar de alguns estudos terem encontrado relação entre aptidão aeróbia e a capacidade de sprints repetidos, estes foram evidenciados com sprints de menor duração, bem como uma maior recuperação em comparação ao presente estudo. Desta forma, como não houve relação entre a aptidão aeróbia e a capacidade de sprints repetidos de ~10 s e recuperação de ~60 s, esta parece ser dependente da duração e recuperação dos sprints.

AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos atletas do estudo pela participação na pesquisa, aos membros do LAEF pelo auxílio na coleta de dados e a CAPES pelo apoio financeiro.

ABRAÇOS A TODOS, FIQUEM COM DEUS, UM FELIZ NATAL E UM ABENÇOADO ANO NOVO! ATÉ A PRÓXIMA...

REFERÊNCIAS

Girard O et al. Sports Med, 41(8):673-694, 2011.
Silva JF et al. Rev Bras Cineantropom Desempenho hum, 13(5):384-391, 2011.