domingo, 27 de julho de 2014

Respostas fisiológicas do organismo no início do exercício de corrida

   Gostaria de compartilhar com vocês nessa postagem algumas respostas sistêmicas do sistema cardiovascular e respiratório no início do exercício de corrida. Na verdade vou buscar mostrar de uma maneira básica e introdutória alguns conceitos sobre o estudo da cinética (Estudo da velocidade e o mecanismo das reações fisiológicas e os fatores que atuam sobre elas; a análise do comportamento das curvas), ou melhor dizendo do comportamento do organismo em determinado estímulo. Vale lembrar que o comportamento do consumo de oxigênio (VO2) durante atividades físicas de diferentes magnitudes difere conforme há um aumento na intensidade de exercício (XU; RHODES, 1999) e pode apresentar uma relação curvilínea quando realizado de forma incremental, ou exponencial se obtido em velocidades constantes (DENADAI; CAPUTO, 2003). A cinética do VO2, portanto, pode ser considerada o estudo dos mecanismos fisiológicos responsáveis pela dinâmica das respostas do VO2 ao exercício e sua subsequente recuperação (JONES; POOLE, 2005).
Vamos tratar da resposta do VO2 e os ajustes cardiovascular da frequência cardíaca (FC) e respiratório da ventilação pulmonar (VE). Além disso, abordar sobre o comportamento do pulso de O2 (O2pulse) que representa o comportamento do fluxo sanguíneo e pode-se a partir desta variável fazer inferências sobre o volume sistólico, calculado pela razão entre VO2/FC (a divisão do consumo de O2 ­pelo numero de batimentos cardíacos). Observemos a figura 1 que demonstra o comportamento de todas estas variáveis nos seis primeiros minutos do exercício.


Esta figura demonstra o comportamento do VO2 em relação a FC, VE e O2pulse para um sujeito representativo. A intensidade de corrida na esteira foi no D50, ou seja, 50% da diferença entre o primeiro limiar (ventilatório) e o consumo máximo de oxigênio (VO2max), por volta de 85% do VO2max. Podemos situar esta intensidade no domínio pesado de esforço próxima ao limite superior deste. No eixo y está o percentual obtido para cada variável em relação aos seus valores máximos (obtidos em um teste incremental) que estão demonstrados no canto inferior direito da figura. No eixo x está o tempo de exercício. 
Pode-se destacar que todas estas variáveis tem um comportamento exponencial e a partir de ajustes matemáticos monoexponenciais específicos podemos calcular o tempo de resposta médio (mean response time – MRT), valores que aparecem dentro da figura em segundos. Importante ressaltar que, multiplicando o MRT por 4,6 obtemos o tempo que leva para atingir (TA) a estabilização de cada curva. Dessa forma, para o VO2 foi de 216,2 s; para a FC de 274,2 s; para a VE de 311,8 s e; para o O2pulse de 102,6 s. Destaca-se ainda, a resposta rápida do O2pulse que logo alcança uma estabilização em seus valores máximos, ou seja, o fluxo sanguíneo direciona uma oferta de O2 totalmente disponível de maneira maximizada para o exercício em menos de dois minutos. O VO2 vai encontrar um estado estável em um pouco mais do que 3 minutos e meio para este indivíduo buscando suplementar a demanda de energia através da fosforilação oxidativa (sistema aeróbio de produção de energia). A FC demora um pouco mais, pois existe um chamado “drift” da FC por causa da carga imposta a musculatura cardíaca com o aumento do débito cardíaco. A VE demora ainda mais, pois o sistema respiratório é ativado aumentado a mesma para que consiga auxiliar no sistema de tamponamento, ou seja diminuir a acidose metabólica, conduzindo o CO2 produzido para fora do organismo.
Podemos observar nas figuras seguintes a comparação do comportamento da curva de  VO2 com cada uma das outras variáveis em em seus valores medidos realmente, onde fica clara a resposta de uma oferta de O2 (O2pulse) mais rápida no início do exercício com a FC e a VE trabalhando como 'suporte' para a demanda imposta de forma mais lenta a buscar uma estabilização em relação ao VO2 e ao O2pulse.



Por hoje era isso pessoal, até a próxima e fiquem Deus. Abraços.
Referências
DENADAI, B. S.; CAPUTO, F. Efeitos do treinamento sobre a cinética de consumo de oxigênio durante o exercício realizado nos diferentes domínios de intensidade esforço. Motriz, v. 9, n. 1, (Supl.), p. S1 – S7, 2003.
JONES, A. M.; POOLE, D. C. Introduction to oxygen uptake kinetics and historical development of the discipline. In: Jones, A. M.; Poole, D. C. (org.). Oxygen uptake kinetics in sports, exercise and medicine. 1ª ed. Abingdon: Routledge, 2005.
XU, F.; RHODES, E. C. Oxygen uptake kinetics during exercise. Sports Medicine, v. 27, n. 5, p. 313-327, 1999.







quinta-feira, 3 de julho de 2014

Perfil antropométrico e performance aeróbia e anaeróbia em jovens jogadores de futebol

RESUMO: O objetivo do presente estudo foi comparar as características antropométricas e performance aeróbia e anaeróbia de adolescentes jogadores de futebol. Para tanto, participaram deste estudo 34 jogadores da categoria infantil (INF) (idade 14,44 ± 0,55 anos, massa corporal 60,94 ± 8,51 kg, estatura 173,16 ± 8,91 cm) e 30 jogadores da categoria juvenil (JUV) (idade: 15,94 ± 0,69 anos, massa corporal 70,0 ± 9,86 kg, estatura 177,58 ± 8,24 cm). Todos os adolescentes foram submetidos a medidas antropométricas, composição corporal e somatotipo, seguido pelos seguintes protocolos de campo: teste de Carminatti (T-CAR) para avaliação da potência aeróbia máxima a partir da determinação do pico de velocidade (PV), teste anaeróbio de sprints repetidos e teste de velocidade de 10 e 30 m. Para detectar possíveis diferenças entre as categorias competitivas foi utilizado o teste t de Student para amostras independentes adotando o nível de significância de 5%. Os jogadores JUV foram mais pesados, mais altos e apresentaram maiores perímetros musculares comparado aos jogadores INF, enquanto para o somatório das dobras cutâneas não foram visualizadas diferenças. Os desempenhos nos testes aeróbios e anaeróbios analisados foram significativamente superiores para a categoria juvenil em relação à infantil. Dessa forma, podemos concluir que a idade cronológica determina as diferenças nas características antropométricas e nos desempenhos físico de jovens jogadores no meio (categoria infantil) e final (categoria juvenil) da adolescência como provável resultado do processo de crescimento e maturação biológica.
Palavras-chave: Antropometria, composição corporal, desempenho esportivo.

Anthropometric profile and aerobic and anaerobic performance in young soccer players


ABSTRACT:The aim of this study was to compare anthropometric characteristics and aerobic and anaerobic performance of adolescent soccer players. For this, young soccer players classified as under 15 - U15 (n=34; age 14.44 ± 0.55 years, body mass 60,94 ± 8,51 kg, stature 173,16 ± 8,91 cm) and under 17 - U17 (n=30; age 15.94 ± 0.69 years, body mass 70,0 ± 9,86 kg, stature 177,58 ± 8,24 cm) participated in this study. All adolescents were submitted to performed anthropometric assessments, body composition and somatotype, accompanied by the following field tests protocols: Carminatti test (T-CAR) for the evaluation of maximal aerobic power from the determination of the peak velocity (PV), repeated sprints anaerobic test (40 m RSA) and the 10 m and 30 m speed test. To detect possible differences between competitive age groups (U-17 vs. U-15) was used t test for independent samples adopting significance level of 5%. Older players (U-17) were heavier, taller and had greater muscle circumferences compared to youngest players belonging U-15 age group, while for the sum of skinfolds were not visualized differences among them. Thus, we can conclude that chronological age determines differences in morphological characteristics and motor performances (aerobic and anaerobic indicators) of young soccer players in middle (U-15) and end (U-17) of adolescence period as probable outcome of biological growth and development.

Key words: anthropometry, body composition, athletic performance.


Se você quiser ter acesso ao conteúdo completo do artigo deixe seu comentário. Fiquem com Deus. Abraços

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Identificação indireta do segundo limiar de transição fisiológica e do limite superior do domínio pesado de intensidade de exercício

Paulo Cesar do Nascimento
Anderson Santiago Teixeira
Kristopher Mendes de Souza
Luiz Guilherme A Guglielmo

INTRODUÇÃO
O máximo estado estável de lactato e a velocidade/potência crítica (VC) são as variáveis fisiológicas consideradas padrão ouro para determinação da capacidade aeróbia (Carter et al., 2002; Greco et al., 2012). Essas variáveis, segundo alguns autores, demarcam os domínios fisiológicos pesado e severo (Carter et al., 2002; Greco et al., 2012). Entretanto, para que as mesmas sejam determinadas é necessária à realização de vários testes preditivos, demandando, dessa forma, muito esforço e tempo por parte dos avaliados (Greco et al., 2012).
Nesse contexto, para simplificar a determinação destas variáveis, alguns métodos têm sido propostos a partir de um único teste incremental (Dekerle et al., 2003; Lansley et al., 2011). A determinação do segundo limiar ventilatório (LV2) é um destes métodos (Dekerle et al., 2003) e pode ser utilizado para identificar o segundo limiar de transição fisiológica (LTF). Por outro lado, como uma alternativa, alguns estudos têm investigado as respostas fisiológicas nos domínios pesado e severo a partir de intensidades determinadas por meio do método delta (Δ) (Lansley et al. 2011). O método Δ considera o consumo de oxigênio (VO2) no primeiro LTF (encontrado por meio do limiar de lactato ou do primeiro limiar vetilatório - LV1) e o consumo máximo de oxigênio (VO2max) (Lansley et al., 2011). De acordo com a literatura (Lansley et al., 2011), o limite superior do domínio pesado encontra-se no Δ50, ou seja, na intensidade de exercício correspondente a 50% da diferença entre o VO2 no primeiro LTF e o VO2max. Dessa forma, o objetivo desse estudo foi analisar se existe diferença entre o Δ50 e LV2 em atletas amadores de futsal com diferentes valores de potência aeróbia máxima.

MATERIAIS E MÉTODOS
Participaram deste estudo 18 atletas amadores de futsal (idade 20,6±5,8 anos; estatura 177,6±6,2 cm; massa 73,4±9,7 kg, % de gordura 13,7±4,3 %) divididos em dois grupos: 1) potência aeróbia moderada (n= 9; VO2max = 53,62±2,51 ml.kg.min-1; PV = 17,13±1,28 km.h-1) e  2) potência aeróbia alta (n= 9; VO2max = 61,41±2,43 ml.kg.min-1; PV = 18,33±1,07 km.h-1). Todos os indivíduos realizaram um teste incremental de rampa para determinar o primeiro e o segundo limiar ventilatório (LV1 e LV2), 50 % da diferença entre o LV1 e o consumo máximo de oxigênio (VO2max) (Δ50), o VO2max e o pico de velocidade (PV). O teste de rampa em esteira (IMBRAMED) iniciou na velocidade de 6,0 km.h-1 com incrementos de 0,5 km.h-1 cada 30 s até exaustão voluntária. Os dados coletados respiração a respiração (COSMED, Quark) foram colocados em médias de 15 s. Avaliou-se o comportamento do volume de gás carbônico produzido (VCO2) plotado versus o oxigênio consumido (VO2) (método V-slope) para identificar o LV1 e, os equivalentes ventilatórios de VO2 (VE/VO2) e do CO2 (VE/VCO2) plotados versus o tempo para encontrar o LV2.


A maior média de 15 s foi considerada o VO2max. O PV foi considerado a maior velocidade atingida durante o teste. A velocidade do Δ50, identificado conforme descrito previamente, foi encontrada por meio de uma regressão linear substituindo o y da equação pelo VO2 estimado para assim obter o valor de x da velocidade.
As análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS versão 17.0. Os dados são apresentados em média ± desvio padrão (DP). Foi utilizado o teste Shapiro Wilk para verificar a normalidade dos dados (n < 50) e o teste t de Student para amostras pareadas para verificar as possíveis diferenças entre as variáveis. Adotou-se um nível de significância de 5 %.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 1 estão apresentados os valores médios para a velocidade e VO2 correspondente ao LV2 e Δ50 acompanhado dos seus percentuais relativos ao PV e VO2max, respectivamente. 

Pode-se observar que no grupo 1 os valores absolutos e percentuais da velocidade e VO2 associados ao Δ50 foram significativamente inferiores aos valores encontrados para o LV2. Por outro lado, para o grupo 2 não foram visualizadas nenhuma diferença entre os valores associados ao Δ50 e LV2 para qualquer variável de análise.
Em comparação com o estudo de Lansley et al. (2011) nossa investigação demonstrou que o Δ50 pode ser utilizado como limite superior do domínio pesado em indivíduos com valores mais altos de potência aeróbia considerando o LV2 como indicador desse fenômeno (Dekerle et al., 2003). Porém, a utilização desse método parece dependente da aptidão aeróbia e ao contrário do que tem sido proposto por parte da literatura (Dekerle et al., 2003; Lansley et al., 2011) o Δ50 não representa o LV2 e não parece ser apropriado para identificação do LTF2 em acordo com estudo de Carter et al. (2002) que demonstrou que na corrida como modo de exercício o Δ40 seria o melhor indicador da VC e assim do LTF2.

CONCLUSÕES
Conclui-se que método do Δ50 parece ser dependente da potência aeróbia máxima e que para os indivíduos com maiores valores desta (≈ 60 ml.kg.min-1) pode ser utilizado para estimar o LV2, entretanto, não seria indicado para predição do LTF2 em sujeitos com menores valores de potência aeróbia.

AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos atletas, aos membros do LAEF pelo auxílio e a CAPES pelo apoio financeiro.

Fiquem com Deus e até a próxima!

REFERÊNCIAS
Carter H et al. Eur J Appl Physiol, 86(4):347-354, 2002.
Dekerle J et al. Eur J Appl Physiol, 89(3-4):281-288, 2003.
Greco CC et al. Appl Physiol Nutr Metab, 37(4):736-743, 2012.
Lansley KE et al. Int J Sports Med, 32(7):535-541, 2011.

domingo, 6 de abril de 2014

DETERMINAÇÃO DA POTÊNCIA E CAPACIDADE AERÓBIA EM JOGADORES DE FUTEBOL: IMPLICAÇÕES PRÁTICAS PARA O TREINAMENTO

Marcelo Figueiró Baldi (UFSC); Leandro Teixeira Floriano (UFSC); Paulo César do Nascimento (UFSC); Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo (UFSC)


 

 
RESUMO
Objetivo: determinar a capacidade e potência aeróbia em jogadores universitários de futebol. Métodos: Vinte e seis jogadores universitários de futebol (idade: 22,5 ± 3,6 anos; estatura: 177,5 ± 6,3 cm; massa corporal: 72 ± 8,3 kg; %G: 10,8 ± 2,0%) foram submetidos à antropometria e teste incremental máximo em esteira rolante para a identificação das variáveis de potência aeróbia: a) consumo máximo de oxigênio (VO2max), b) menor velocidade associada ao VO2max (vVO2max), e c) frequência cardíaca máxima (FCmax); e capacidade aeróbia: d) velocidade associada ao limiar de acúmulo de lactato sanguíneo (vOBLA), e) consumo de oxigênio na vOBLA (VO2vOBLA) e f) frequência cardíaca na vOBLA (FCOBLA). Para a apresentação dos resultados, foi empregada a análise descritiva (média, desvio-padrão). Resultados: os valores médios de potência e capacidade aeróbia encontrados são semelhantes aos estudos avaliando jogadores amadores e/ou universitários e inferiores aos encontrados em atletas profissionais e de elite. Conclusão: Os dados encontrados servem como parâmetros práticos para a prescrição, monitoramento e avaliação dos efeitos do treinamento.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente estudo, foram apresentados valores absolutos e relativos da potência e capacidade aeróbia em atletas universitários de futebol. Estes dados servem como parâmetros práticos para a prescrição, monitoramento e avaliação dos efeitos do treinamento. Todavia, cautela deve ser empregada caso estes parâmetros sejam utilizados em atletas de outros níveis competitivos.

Quem Tiver interesse no artigo completo deixe seu recado e ficarei feliz em disponibilizar! Fiquem com Deus e até a próxima!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Níveis de potência muscular em atletas de futebol e futsal em diferentes categorias e posições


Esse foi um trabalho em que colaborei com outros colegas dos laboratórios LAEF/BIOMEC/CDS da Universidade Federal de Santa Catarina citados acima no cabeçalho.

Para ter acesso ao artigo completo ou obter mais informações deixe seu comentário!
Fiquem com Deus e até a próxima.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Existe relação da capacidade de sprints repetidos intermitentes com a aptidão aeróbia em jogadores de futsal?

Autores: Paulo Cesar do Nascimento; Juliano Fernandes da Silva; Priscila Cristina dos Santos; Luiz Guilherme antonacci Guglielmo.


INTRODUÇÃO
A relação entre aptidão aeróbia e a capacidade de sprints repetidos (CSR - sprints máximos com duração <10s e com intervalo <60s) – (GIRARD et al., 2011) tem sido demonstrada na literatura (SILVA et al., 2011). Contudo, a duração dos estímulos e o tempo de recuperação entre os sprints parecem apresentar influência nesta associação (GIRARD et al., 2011). Dessa forma, o objetivo deste estudo foi verificar se a capacidade (segundo limiar ventilatório - LV2) e a potência aeróbia (consumo máximo de oxigênio – VO2max; Pico de velocidade – PV) estão relacionadas com a CSR a partir de um teste com sprints longos (~10s) e recuperação longa (~60s) em jogadores amadores de futsal.

MATERIAIS E MÉTODOS
Participaram deste estudo 15 atletas amadores de futsal (idade 21,9 ± 6,1 anos; estatura 178,3 ± 6,2 cm; massa 75,1 ± 9,8 kg, % de gordura 13,8 ± 3,7 %) que realizaram um teste incremental de rampa para determinar o LV2, VO2max e o PV e; o teste de capacidade de CSR para determinar o melhor tempo (MT), tempo total (TT) e o índice de fadiga (IF) calculado da seguinte forma: [100* (TT/MT *6)] - 100. O teste de rampa em esteira iniciou na velocidade de 6,0 km.h-1 com incrementos de 0,5 km.h-1 cada 30s até exaustão voluntária. Os dados coletados respiração a respiração (COSMED, Quark) foram colocados em médias de 15 s. Avaliou-se o comportamento do volume de gás carbônico expirado (VCO2) plotado versus o oxigênio inspirado (VO2) (método V-slope) e, os equivalentes ventilatórios de O2 (VE/VO2) e do CO2 (VE/VCO2) plotados versus o tempo para encontrar o LV2. A maior média de 15 s foi considerada o VO2max. O PV foi considerado a maior velocidade atingida durante o teste. O teste de CSR consistiu de seis sprints de 40 m com mudança de sentido de 180º a cada 10 m e recuperação passiva de 60 s entre cada sprint. Antes da realização do teste os atletas executaram um aquecimento padronizado com diferentes deslocamentos, alongamentos e alguns sprints curtos com duração de 15 minutos.  Os tempos foram obtidos por meio de um par de fotocélulas (Speed test, CEFISE 4.0) e durante todo o teste a frequência cardíaca (FC) foi mensurada por meio de um frequêncimetro (Polar). No final do teste foram coletadas amostras de sangue capilar (25 µL) do lóbulo da orelha nos minutos três e cinco para verificar as concentrações de pico do lactato sanguíneo ([La]). As amostras foram armazenadas em microtubos (Eppendorff) contendo 50 μL de solução de NaF 1% e armazenado em gelo. A análise foi realizada por intermédio de um analisador bioquímico (YSI 2700, modelo Stat Select).  As análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS versão 17.0. Os dados são apresentados em média ± desvio padrão (DP). Foi utilizado o teste Shapiro Wilk para verificar a normalidade dos dados (n < 50) e a correlação linear de Pearson para verificar as possíveis correlações entre as variáveis. Nível de significância adotado de 5 %.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os valores encontrados durante os testes de rampa para o LV2, VO2max e PV foram 14,1 ± 0,9 Km.h-1; 57,2 ± 4,8 ml.kg.min-1 e; 17,9 ± 1,2 Km.h-1, respectivamente. Os valores de performance obtidos durante o teste de CSR foram os seguintes: MT = 9,46 ± 0,25 s; TT = 58,34 ± 2,90 s; IF = 1,67 ± 0,70 %. A FC final do teste de CSR foi 170 ± 9 bpm. As [La] foram 10,5 ± 2,4 m.mol.L-1. As correlações entre os índices de capacidade e potência aeróbia com as variáveis de performance do CSR estão apresentadas na tabela 1.  O MT mostrou ter uma correlação moderada com o PV, porém todas as outras variáveis de capacidade de sprints repetidos não mostraram associação com a aptidão aeróbia. Ainda, quando se analisou as possíveis relações dos tempos (MT e TT) e o IF com a FC final e as [La], apenas o IF demonstrou correlação com a FC final (r = 0,56; p = 0,02).


CONCLUSÕES
Apesar de alguns estudos terem encontrado relação entre aptidão aeróbia e a capacidade de sprints repetidos, estes foram evidenciados com sprints de menor duração, bem como uma maior recuperação em comparação ao presente estudo. Desta forma, como não houve relação entre a aptidão aeróbia e a capacidade de sprints repetidos de ~10 s e recuperação de ~60 s, esta parece ser dependente da duração e recuperação dos sprints.

AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos atletas do estudo pela participação na pesquisa, aos membros do LAEF pelo auxílio na coleta de dados e a CAPES pelo apoio financeiro.

ABRAÇOS A TODOS, FIQUEM COM DEUS, UM FELIZ NATAL E UM ABENÇOADO ANO NOVO! ATÉ A PRÓXIMA...

REFERÊNCIAS

Girard O et al. Sports Med, 41(8):673-694, 2011.
Silva JF et al. Rev Bras Cineantropom Desempenho hum, 13(5):384-391, 2011. 
  




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A CAPACIDADE E POTÊNCIA AERÓBIA CONTRIBUEM PARA PERFORMANCE ANAERÓBIA LÁTICA DE JOGADORES DE FUTSAL?

Paulo Cesar do Nascimento / CDS-UFSC
Anderson Santiago Teixeira / CDS-UFSC
 Kristopher Mendes de Souza / CDS-UFSC

Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo / CDS-UFSC

INTRODUÇÃO
No futsal, a realização de esforços de alta intensidade e curta duração (ex: sprints, 1 x1, saídas de pressão) depende principalmente do sistema anaeróbio alático. Entretanto, nas ações de transição ataque-defesa e contra-ataques sucessivos, o sistema predominante é o anaeróbio lático. Contudo, o metabolismo aeróbio participa significativamente em aproximadamente 90% de todas as ações dos jogadores durante uma partida de futsal (MEDINA et al., 2002; BARBERO ÁLVAREZ; BARBERO ÁLVAREZ, 2003; BARBERO ÁLVAREZ et al., 2008).
Considerando que o futsal é um desporto com constantes sprints em contra-ataques, saltos para cabeceios e movimentações rápidas para se livrar ou realizar marcação os atletas executam esforços com um nível de exigência muscular elevado, solicitando a mobilização máxima das capacidades específicas da modalidade como aceleração, velocidade e agilidade (BARBERO ÁLVAREZ et al., 2008). Dessa forma a avaliação específica e o entendimento claro dos índices fisiológicos envolvidos na prática do futsal são de suma importância para o aprimoramento da prescrição do treinamento na modalidade. Assim a hipótese do presente trabalho é que a capacidade aeróbia e potência aeróbia poderão explicar conjuntamente a variação da performance anaeróbia visto que estas participam ativamente durante e na recuperação dos esforços de alta intensidade deste esporte (MEDINA et al., 2002).
Portanto o objetivo do presente estudo foi analisar a influência dos índices fisiológicos de capacidade (vLAn) e potência aeróbia (VO2max; vVO2max) na performance anaeróbia lática obtida no teste de capacidade do sprints repetidos.
  
METÓDOS
Participaram deste estudo doze jogadores de futsal da categoria sub20 de uma equipe de nível nacional do Brasil (18,6 ± 0,4 anos, 173,4 ± 4,0 cm, 68,4 ± 5,4 kg, 13,6 ± 3,6 % de gordura corporal). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (protocolo – 224/08). Os participantes foram previamente instruídos sobre os procedimentos técnicos referentes às avaliações assinando um termo de consentimento livre e esclarecido.
Os jogadores foram instruídos a chegar aos testes em totais condições de hidratação e alimentação e, não realizar nenhum tipo de treinamento 24 h antes de cada teste. Todos os testes foram realizados no mesmo período do dia. Os testes foram realizados com um intervalo de no mínimo 48h entre cada um deles. Para a caracterização da amostra foram realizadas as avaliações antropométricas que seguiram os procedimentos definidos em Petroski (2007). O percentual de gordura corporal foi estimado a partir da equação de sete dobras cutâneas proposta por Jackson e Pollock (1978) específica para atletas do sexo masculino.
No primeiro dia os atletas realizaram um protocolo incremental em esteira rolante (IMBRAMED SUPER ATL, Porto Alegre, Brasil) para determinação do consumo máximo de oxigênio (VO2max). A velocidade inicial foi de 9 km.h-1 (1% de inclinação), com incrementos de 1,2 km.h-1 a cada 3 min até a exaustão voluntária. Entre cada estágio, houve um intervalo de 30 s para a coleta de 25 µl de sangue do lóbulo da orelha para a dosagem do lactato sanguíneo por meio de um analisador eletroquímico (YSI 2700 STAT, Yellow Springs, OH, USA). O VO2 foi mensurado respiração a respiração durante todo o protocolo a partir do gás expirado (K4b2, Cosmed, Roma, Itália), sendo os dados reduzidos à média de 15 s. O VO2max foi considerado como o maior valor obtido durante o teste nestes intervalos de 15 s. A velocidade associada ao VO2max (vVO2max) foi considerada como sendo a menor velocidade de corrida, na qual ocorreu o VO2max. A velocidade referente ao limiar anaeróbio (vLan) foi determinado como sendo a velocidade correspondente a concentração fixa de lactato de 3,5 mmol.L-1, conforme proposto por Heck et al. (1985).
No segundo dia de avaliação os jogadores realizaram o teste de capacidade de sprints repetidos (CSR) proposto por Bangsbo (1994), o qual é constituído por sete sprints máximos de 34,2 m com três mudanças de sentido cada, intercalados com 25 s de recuperação. Os tempos foram mensurados por meio do sistema de fotocélulas (CEFISE® - Speed Test 6.0). Dentre as variáveis derivadas do teste de CSR, analisou-se somente o tempo total (TT) dos setes sprints como indicador de capacidade anaeróbia.
Para realização da análise estatística, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS 17.0 for Windows). Os dados foram apresentados em média e desvio-padrão (DP). A normalidade dos dados foi verificada por meio do teste de Shapiro-Wilk (n<50 font="">. A correlação entre o TT e VO2max, vVO2max e vLAn foi realizada pela análise de regressão linear simples e a múltipla utilizando o método Stepwise. Nível de significância de 5%.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os valores dos índices de desempenho obtidos em protocolos de campo e de laboratório em jogadores de futsal sub20 estão descritos na Tabela 1.

Os valores de VO2max do presente estudo foram similares aos valores relatados por Baroni et al. (2011) em atletas profissionais adultos (≈ 23 anos) de futsal. Por outro lado, os valores de vVO2max e vLAn observados no estudo de Baroni et al. (2011) foram superiores comparado ao  presente estudo (17,1 vs. 15,2 km.h-1 e 14,9 vs. 12,4 km.h-1, para vVO2max e vLAn, respectivamente). As diferentes durações dos estágios do teste incremental adotado em cada estudo (1min vs. 3min), podem explicar em parte os maiores valores de potência e capacidade aeróbia apresentados por Baroni et al. (2011). Além disso, o TT no teste de CSR observado no presente estudo foi menor comparado ao estudo de Barbero Álvarez e Barbero Álvarez (2003) (47,5 ± 1,4 vs. 51,04 ± 1,29, respectivamente) realizado com jogadores profissionais adultos de futsal.


Os valores de correlação do TT no teste de capacidade de sprints repetidos com o VO2max, vVO2max e vLAn estão descritos na Tabela 2. Observaram-se correlações de magnitude nominal moderada a alta para as variáveis independentes e o TT (p<0 nbsp="" span="">Adicionalmente, os modelos de regressão linear simples mostraram que as variáveis independentes conseguem explicar individualmente entre 36% e 63% da variação inter-individual dos valores de TT em jogadores de futsal sub20 (tabela 2). Por outro lado, quando todas as variáveis independentes foram adicionadas no modelo inicial para realização da análise de regressão linear múltipla, os resultados mostraram que a vLAn foi a única variável preditora no modelo final, explicando aproximadamente 58,9% das variações nos resultados obtidos para o TT, enquanto o VO2max e vVO2max foram excluídas (p valor > 0,05).
Barbero Álvarez e Barbero Álvarez (2003) realizaram um interessante estudo com 12 atletas profissionais de futsal (idade ≈ 26 anos) com o objetivo de verificar a relação entre o VO2max (51,35 ml.kg.min-1) com tempo total (51,04 s) no teste de CSR e encontraram uma relação negativa significante entre as duas variáveis (r = -0,728). Ainda, quando os autores realizaram analise de regressão para verificar o grau de explicação do TT pelo VO2max encontraram um R2 de 0,52. O protocolo de sprints adotado no estudo citado foi igual ao do presente estudo, enquanto que, o VO2max ao contrário da presente pesquisa foi estimado por meio de um protocolo de campo, o que pode justificar em parte as diferenças encontradas nos resultados.
Portanto, com base no que foi demonstrado anteriormente na literatura por Barbero Álvarez e Barbero Álvarez (2003) e com os achados do presente estudo podemos aceitar a hipótese proposta e afirmar com base nesses resultados que a capacidade e a potência aeróbia podem explicar, ao menos em parte, a variação da performance anaeróbia lática.
  
CONCLUSÃO
Podemos concluir que na presente pesquisa a capacidade aeróbia foi a melhor preditora da capacidade anaeróbia lática. Ainda, pode-se considerar que a potência aeróbia tem uma influência importante na performance anaeróbia. Podem-se justificar esses achados pela necessidade de uma aptidão aeróbia aprimorada para otimizar a recuperação entre os inúmeros esforços máximos intermitentes realizados durante os jogos. Por fim, salienta-se a necessidade de outras pesquisas com propósitos similares para confirmar os presentes achados.

REFERÊNCIAS
BANGSBO, J. Fitness training in football – A scientific approach. 1ª ed. Baegsvard: H+O Storm, 1994.
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