quinta-feira, 30 de junho de 2011

EXEMPLO DE SESSÃO DE TREINO NA PROGRESSÃO ESTRUTURAL


Quero com essa postagem exemplificar uma sessão de treino dentro da metodologia da progressão estrutural na busca de clarear o que havia exposto em outras publicações.
O objetivo do treino será treinar alguns elementos táticos fundamentais, como a passagem (ultrapassagem), tabela, triangulação e o cruzamento.
Esses exercícios poderão ser aplicados nas categorias sub 13 e posteriores, e salvo algumas especificidades os três primeiros momentos com a categoria sub 11 e, até mesmo uma adaptação do momento 4 (em maior grau o lado direito).
MOMENTO 1 e 2

No lado direito da figura (momento 1), aplica-se um exercício de simples execução em 4x0 + G, onde após a bola circular por todos realiza-se dois fundamentos táticos básicos que é a passagem e o deslocamento em ‘X’. No lado esquerdo da figura (momento 2), é introduzido jogadores das respectivas posições em cada função (laterais, volantes e meias) e similarmente ao anterior em um 6x0 + G, realiza-se um circulação de bola, entretanto há dois fundamentos táticos a mais, a tabela e a bola lançada pelo meia para o lateral chegar no fundo e cruzar. Destaca-se que em ambos os momentos, o fundamento do cruzamento está sendo executado.

MOMENTO 3

 Pode se observar em ambos os lados da figura que o que é sugerido agora são variações dos momentos 1 e 2. Basicamente, coloca-se os zagueiros realizando a oposição em 4x2+ G e em seguida 6x2 + G.

MOMENTO 4 E 5

Agora temos uma complexidade aumentada em ambos os lados da figura, no lado direito (momento 4) podemos observar um exercício em 6x3 + G onde, os jogadores com a cor marrom são os atacantes que vão fazer a disputa na área contra os defensores. Os fundamentos táticos aplicados são os mesmos que anteriormente. No lado esquerdo (momento 5) o numero de elementos envolvidos é maior, 8x3 + G, mas novos fundamentos táticos são introduzidos, a entrada do lateral em diagonal gerando uma triangulação com o meia conduzindo (linha com bolas)e tabelando com o atacante (jogador marrom) para cruzar.
É claro que em todos esses exercícios deve-se demonstrar as movimentações que cada jogador deverá executar (ex: ficar na sobra ou realizar um cobertura ofensiva). Principalmente no momento 5 as movimentações tem que estar bem sincronizadas  para não sobrecarregar a defesa e aglomerar jogadores em certos espaços.

CONTINUA…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CURSO SOBRE NOVAS TÊNDENCIAS PARA O TREINAMENTO NAS MODALIDADES DE FUTEBOL E FUTSAL

Na semana de 06 à 11 de junho aconteceu a XII semana de Educação Física CDS/UFSC nas dependências do Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina. Na terça feira dia 07 eu (Paulo Cesar do Nascimento) e meu amigo e companheiro de trabalho na Avaí FC, Marcelo Baldi (preparador físico – sub 15), estivemos ministrando um mini-curso que dá titulo a essa postagem.

O objetivo do curso foi debater sobre as metodologias mais recentes e as mais utilizadas para o treinamento nas modalidades coletivas e defender o uso da periodização tática e dos princípios táticos de jogo no treinamento do futebol e futsal.

Buscamos mostrar conceitos básicos sobre esta proposta de trabalho e demonstrar aplicações práticas principalmente nas categorias de iniciação no futebol, onde estamos atuando profissionalmente, o sub 11, 13 e 15. O professor Marcelo abordou principalmente os aspectos referentes ao sub 15. Conforme o vídeo abaixo.

Dessa forma, eu abordei mais os aspectos referentes a iniciação nas modalidades sub 11 e sub 13, assuntos que vou destacar nas próximas postagens.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ney Franco visita a Ressacada - Coordenador técnico de base da Seleção Brasileira conheceu a estrutura do Avaí

O coordenador das categorias de base e técnico da Seleção Brasileira Sub-20, Ney Franco, passou o dia na Ressacada nesta sexta-feira, dia 3, acompanhado do presidente João Nilson Zunino. A visita começou pelos projetos de ampliação do estádio e da construção do novo Centro de Treinamento. Ney Franco conheceu também os camarotes e Área Vip da Ressacada e gostou do que viu. “Impressionante a estrutura do Avaí. Chama a atenção o luxo e conforto dos camarotes. O Avaí hoje é um dos clubes mais modernos e estruturados do Brasil”.


Após o tour pela Ressacada, o treinador recebeu das mãos do presidente um kit especial do Avaí e uma camisa personalizada. O presidente João Nilson Zunino destacou a importância da visita. “O Ney é um excelente profissional que tem as portas abertas aqui na Ressacada. Sempre é importante receber a visita da CBF, afinal, ela é a instituição gestora do nosso futebol. Precisamos estar em contato contínuo”.

No período da tarde, Ney Franco se reuniu com todos os treinadores da categoria de base do Avaí para discutir a relação dos clubes com a Confederação Brasileira de Futebol no que se refere à formação e preparação dos atletas. O encontro ocorreu na sala da presidência do clube. Ao final do dia, o coordenador de base da CBF acompanhou o treino do time principal no CFA e atendeu os jornalistas presentes
Não costumo fazer esse tipo de postagem, mas acredito que essa notícia é importante para sabermos o "caminho que estamos seguindo". Com certeza foi uma reunião mais política onde o Ney Franco falou sobre as pretensões da CBF quanto o trabalho com as categorias de base no Brasil e a formação dos selecionados de cada categoria. Se a idéia tornar verdade realmente, a intenção é formar seleções mais democráticas dando oportunidade para os atletas de clubes que estão fora dos chamados grandes centros. Atitude louvável. Quando questionei o nosso atual coordenador das categorias de base do Brasil se haveria alguma metodologia que seria tomada como norma para o trabalho, ele disse que não: “o Mano Menezes apenas exigiu uma linha de defesa composta por quatro atletas, no mais cada treinador terá liberdade para trabalhar na forma que acreditar ser mais ideal”. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ÍNDICES FISIOLÓGICOS E NEUROMUSCULARES ASSOCIADOS À CAPACIDADE DE SPRINTS REPETIDOS EM JOGADORES UNIVERSITÁRIOS DE FUTEBOL


INTRODUÇÃO
Recentemente, muita atenção tem sido dada aos mecanismos fisiológicos determinantes da fadiga da capacidade de sprints repetidos (CSR) em atletas de futebol. Entretanto, pouco se sabe, ainda, sobre a relação da CSR com índices neuromusculares (de potência muscular) e, principalmente, no que se refere à especificidade dos protocolos de avaliação destes últimos.

OBJETIVO
Verificar a associação entre índices fisiológicos de aptidão física (VO2max, vVO2max, vOBLA e Lacmax) e neuromusculares de potência muscular (SJ, CMJ e SH) com a CSR em atletas de futebol.

METODOLOGIA
Vinte e seis atletas de futebol (tabela 1) realizaram os seguintes protocolos: a) testes de saltos verticais: squat jump (SJ) e salto contra movimento (CMJ); b) salto horizontal (SH); c) teste incremental máximo em esteira rolante para a identificação das variáveis de potência (VO2max e vVO2max) e capacidade aeróbia (vOBLA); e d) teste de CSR de Rampinini et al., (2007) para a identificação do melhor tempo (MT), tempo médio (TM), percentual de diminuição da performance (PD) e capacidade anaeróbia lática (Lacmax).


Para a análise estatística, foram utilizados o teste de Shapiro-Wilk, correlação linear de Pearson e a escala modificada de Hopkins (2002) para classificar  o grau de associação (trivial, small, moderate, large, very large, nearly perfect and perfect) entre as variáveis fisiológicas e neuromusculares com a CSR. Foi adotado p ≤ 0,05 em todas as análises.

RESULTADOS
Entre os índices fisiológicos, verificou-se uma correlação moderada da vOBLA com o TM (r = -0,44; p < 0,05) e do Lacmax com o PD (r = 0,47; p < 0,05) (tabela 2). Entre os índices neuromusculares, verificou-se uma correlação muito alta do SH com o MT (r = -0,73; p < 0,01) e alta do SH com o TM (r = -0,69; p < 0,01) e do CMJ com o MT e TM (r = -0,54 e r = -0,62; p < 0,01), respectivamente (tabela 2).



CONCLUSÃO
Os resultados do presente estudo demonstram que, em jogadores universitários de futebol, a CSR está mais associada aos índices neuromusculares de potência muscular (SH e CMJ) do que aos índices fisiológicos de aptidão física (VO2max, vVO2max, vOBLA e Lacmax). Além disso, o protocolo de SH parece ser o mais específico em relação a predição do desempenho de CSR. Estes resultados sugerem que para melhorar a CSR, em jogadores de futebol treinados, maior ênfase deve ser dada ao treinamento de força e potência muscular.

Este trabalho foi fruto da monografia do meu amigo e colega de trabalho Marcelo Baldi,  formado em Educação Física na UFSC e atual preparador físico da categoria sub 15 do Avaí FC. O resumo aqui postado foi publicado anteriormente e o TCC na íntegra  está em fase de preparação para ser publicado como artigo. 
Para entrar em contato com o Marcelo, enviar email para marcelo_baldi@hotmail.com

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Atividade de treino no modelo de progressão estrutural: Princípios defensivos de contenção e cobertura.

A partir do que havia postado em artigos anteriores, gostaria de acrescentar aqui um exemplo de atividade dentro da metodologia da progressão estrutural para ilustrar melhor o que vinha sendo discutido.

Com o entendimento de alterar o número de elementos e variáveis (n° de jogadores, tamanho do campo, regras da atividade, etc) de uma forma didática para que os atletas alcancem um entendimento lógico do objetivo a ser alcançado no planejamento surge à proposta dessa metodologia.

Quero propor um exercício onde o objetivo da unidade de treino são os princípios táticos de contenção e cobertura defensiva em uma atividade que progride de 2x2 para um 4x4.


Atividade de progressão estrutural segmentada com zonas forte e débil de jogo. Proporciona ao atleta a noção do espaço de jogo e os setores onde está espaço de jogo efetivo. O campo do exercício está dividido em três partes: Na zona A e B joga-se 2x2, os jogadores não podem trocar seus setores, mas a bola pode circular de um lado ao outro normalmente. A partir do momento que o quarteto que ataca invade a zona C joga-se 4x4 normalmente com exceção do número de toques na bola e de passes limitado para efetivar as jogadas de finalização (ex: 3 toques na bola e 4 passes).

Atividade que possibilita um trabalho específico de contenção e cobertura defensiva, assim como de organização defensiva e ofensiva. Ainda a movimentação sem bola e iniciação ao apoio ofensivo.

VOLTAMOS AO ASSUNTO EM ARTIGOS POSTERIORES.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Modelo de planejamento dentro da periodização dos princípios de jogo

Quero postar no artigo de hoje umas das formas que adotei para planejar a periodização dos princípios táticos de jogo no futebol. É claro que fica só como exemplo e não como modelo a ser seguido, mas dentro de minha ideologia de trabalho, procurando abordar os conceitos e conteúdos que são necessários para o treinamento.


1º TRIMESTRE 14/03/11 á 06/05/11

OBJETIVO PRINCIPAL: Abordagem do sistema tático 4-4-2

Macrociclo 1/ micro de introdução 1.a de 14/03 á 25/03

Objetivos: Tópicos sobre posicionamento, manutenção da posse de bola e linhas de passe.
Princípios de jogo: contenção e cobertura defensiva
Setores: corredores (alas)
Situações de jogo: Contra-ataque.

Macrociclo 1/ micro de aperfeiçoamento 1.b de 28/03 á 08/04

Objetivos: Tópicos sobre linhas de passe, apoio ofensivo, desestabilizar a defesa adversária.
Princípios de jogo: cobertura ofensiva, infiltração
Setores: corredores (alas)
Situações de jogo: Superioridade numérica.

Na próxima postagem vamos desfragmentar cada conteúdo e forma como eles serão abordados.

domingo, 27 de março de 2011

A periodização através dos princípios de jogo e da progressão estrutural


         Na ultima postagem comecei um assunto que particularmente acho muito interessante e têm sido assunto de diversos debates entre os estudiosos do futebol e dos esportes coletivos. Para dar continuidade a essa questão vou abordar sobre outro tema que ainda não é tão conhecido, mas no meu modo de ver está interligado com a temática da periodização tática, tal conteúdo trata-se da progressão estrutural.
         Tenho encontrado alguns autores que abordam sobre a progressão estrutural e vejo que há uma tendência dentro dos que são adeptos da periodização tática a trabalhar com esta metodologia, mesmo de forma indireta. Ainda assim, não está totalmente claro como e de que maneira está forma de trabalho deve ou será utilizada.
         Posso aqui citar alguns autores que pude ler nos últimos tempos e que tratam do assunto, tais como Javier Sampedro em seu livro fútbol sala – las acciones del juego, Jesus Velasco Tejada e Javier Lorente na publicação fútbol: entrenamiento base em fútbol sala e; Antonio Cruz Cárdenes com o livro Fútbol: análisis Del juego. Como podemos observar todos os citados são espanhóis, os quais ao meu modo de ver são uma leitura indispensável, por sinal admiro muito o trabalho realizado na Espanha nessa área.
         Para introduzir tal tema, posso dizer que tenho trabalho de tal forma e procura realizar meu planejamento, seja mensal, semanal ou anual, utilizando a progressão estrutural. Utilizo esta metodologia dentro da sessão de treino, no microciclo e; com uma abordagem mais abrangente no macrociclo.
         A progressão estrutural nada mais é que diminuir os elementos envolvidos na atividade, e ir introduzindo estes conforme a complexidade do jogo vai surgindo como objetivo. Ou seja, planejam-se atividades que começam sem oposição (1x0, 2x0, etc) e depois coloca-se oposição em igualdade numérica ou superioridade numérica (1x1, 2x2, 2x1, 3x1, etc). Vale lembrar que o numero de elementos (jogadores) envolvidos deve progredir do menor para o maior até o jogo formal (11x11, no caso do futebol). Isto é importante, pois quanto maior o numero de elementos mais difícil será aprendizagem e assimilação dos princípios de jogo. Desta forma, como o objetivo do micro ou macro será tais princípios, o inicio das atividades com um numero menor de elementos facilitará a aquisição do que foi objetivado.
         Com a progressão estrutural, conforme o nível de aquisição do grupo de atletas, será aumentada a complexidade, ou seja, o aumento de jogadores envolvidos nas atividades de acordo com cada objetivo do planejamento.


Retornaremos e este assunto em artigos posteriores.