quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

EFFECTS OF PRIOR EXERCISE ABOVE CRITICAL POWER ON MUSCLE FATIGUE

Na postagem do blog esse mês vou demonstrar um trabalho feito pelo nosso grupo de pesquisa (LAEF/CNPq - CDS/UFSC) que foi apresentado no último congresso internacional do Colégio Europeu de Ciências do Esporte - European College of Sport Science.

Helal, LCAS.1, Souza, KM.1, de Lucas, RD.1, Nascimento, PC.1, Guglielmo, LGA.1, Denadai, BS.2

1UFSC (Florianópolis, Santa Catarina, Brazil), 2UNESP (Rio Claro, São Paulo, Brazil)

Introduction
The physiological nature of anaerobic work capacity (AWC) has received little consideration in comparison to critical power (CP). Therefore, the aim of this study was to analyze the influence of prior exercise performed at different work rates above CP (with the same AWC rate depletion) on muscle fatigue during a subsequent isokinetic cycling sprint.

Methods
Fifteen healthy male subjects (mean ± SD; age, 26.0 ± 3.5 years; weight, 76.6 ± 10.4 kg; height, 178.2 ± 7.6 cm) volunteered to participate in this study. Each subject performed the following testing stages: 1) a ramp incremental test (25 W/min) to measure maximal oxygen uptake (VO2max) and maximal power output (Pmax); 2) a 5-s all-out isokinetic sprint test at 120-rpm to measure cycling peak torque in control condition (TCON); 3) four constant work rate tests performed to exhaustion (over a range of times between 2 and 12 min) for CP and AWC determination; and 4) two constant work rate tests, each at work rate set to deplete 70% AWC (the time integral of the work rate above CP consuming 70% of AWC) either 3-min or 10-min, followed immediately by a 5-s all-out isokinetic sprint test at 120-rpm to measure cycling peak torque in the experimental conditions (TEXP3min and TEXP10min). Peak torque was considered as the average of the peak torque for each leg in all conditions. For comparisons, one-way repeated measure ANOVA followed by Bonferroni’s paired t-test was used. The level of significance was set at p < 0.05.
Figure 1. Schematic illustration of the experimental tests. A) 5 s all-out isokinetic exercise performed immediately after the fatiguing exercise set to deplete 70% W’ in 3 min. B) 5 s all-out isokinetic exercise performed immediately after the fatiguing exercise set to deplete 70% W’ in 10 min.

Results
The VO2max and Pmax were 3.71 ± 0.49 L.min-1 and 322 ± 26 W, respectively. The CP and AWC were 207 ± 17 W (r2 = 0.99 ± 0.01; SEE = 3.9 ± 2.7 W; 64.3 ± 2.7% Pmax) and 21.3 ± 4.2 kJ, respectively. The constant work rate tests, which were set to deplete 70% AWC (14.9 ± 3.0 kJ) in 3 min and 10 min, were performed at 289 ± 25 W (89.8 ± 2.9% Pmax) and 231 ± 19 W (71.9 ± 2.2% Pmax), respectively. TEXP3min (108.4 ± 19.8 Nm) and TEXP10min (112.1 ± 23.0 Nm) decreased significantly (F = 19,68; p < 0,001) in the same magnitude (p  = 0,46) in comparison to TCON (135.5 ± 20.2 Nm).


Discussion
The result of the present study is consistent with the idea that AWC is depleted at a rate that bears some proportionality to the magnitude of the work rate requirement above CP (Fukuba et al., 2003; Jones et al., 2010). We conclude that prior exercise above CP produces a similar level of muscle fatigue independent of the work rate performed when AWC is depleted at the same rate.

References
Fukuba Y, Miura A, Endo M, Kan A, Yanagawa K, Whipp BJ (2003). Med Sci Sports Exerc, 35 (8), 1413-1418.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O CONSUMO MÁXIMO DE OXIGÊNIO É ATINGIDO NO DOMÍNIO FISIOLÓGICO SEVERO INDEPENDENTE DA INTENSIDADE DE EXERCÍCIO?

Daiane Wommer, Kristopher Mendes de Souza, Paulo Cesar do Nascimento, Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo

Laboratório de Esforço Físico (LAEF) - Centro de Desportos (CDS) – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Depois de um período de férias merecidas e não tão bem aproveitadas (tipo o ditado: descanso carregando pedra), encerro o recesso do blog com uma postagem de um resumo que foi apresentado no 16º Simpósio Internacional de Atividades Físicas no Rio de Janeiro no ano passado.

O exercício aeróbio pode ser realizado em diferentes domínios de intensidade: moderado, pesado e severo. O domínio moderado é constituído pelas intensidades de exercício abaixo do limiar de lactato (LL). O domínio pesado compreende as intensidades de exercício entre o LL e a potência crítica (PC) e o domínio severo as intensidades acima da PC. No domínio severo, uma das características principais é o atingimento do consumo máximo de oxigênio (VO2max) no exercício realizado até a exaustão. Contudo, embora essa seja uma afirmação autêntica na literatura, nós acreditamos que é necessário testá-la. O objetivo do presente estudo foi verificar se o VO2max é atingido em diferentes intensidades de exercício do domínio severo.

MATERIAIS E MÉTODOS
Sujeitos
            Quinze indivíduos saudáveis não treinados (26 ± 3 anos; 77 ± 10 kg; 178 ± 8 cm).
Procedimentos
            Os sujeitos foram submetidos aos seguintes testes:
            1) teste incremental de rampa no cicloergômetro para determinar o VO2max e a potência pico (Ppico);
            2) testes de carga constante realizados até a exaustão em 75%, 85%, 95% e 105% Ppico para verificar se o VO2max é atingido e para determinar a potência crítica (PC) por meio de ajustes matemáticos.
Tratamento estatístico
         O tratamento dos dados foi realizado no software SPSS versão 17.0 e os resultados apresentados utilizando a estatística descritiva, média e desvio padrão. O teste de Shapiro-Wilk (n < 50) foi realizado para verificar a normalidade dos dados. Para comparação das variáveis foi utilizada a análise de variância One-way, complementada pelo teste de Tukey. Adotou-se um nível de significância de 5%.

RESULTADOS
O VO2max, a PC e a Ppico foram 3,71 ± 0,49 L.min-1, 206 ± 17 W (64 ± 3 %Ppico) e 322 ± 26 W, respectivamente.
Os valores de consumo de oxigênio (VO2) dos testes realizados até a exaustão em 75%, 85%, 95% e 105% Ppico (3,71 ± 0,45 L.min-1; 3,69 ± 0,39 L.min-1; 3,67 ± 0,50 L.min-1 e; 3,54 ± 0,42 L.min-1) não apresentaram diferenças significativas (F = 2,28; p = 0,07) do VO2max determinado no teste incremental.



Pode-se concluir que em indivíduos jovens saudáveis não treinados o VO2max é atingido no exercício realizado até exaustão no domínio severo independente da intensidade analisada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

ÍNDICES FISIOLÓGICOS RELACIONADOS COM A PERFORMANCE NAS PROVAS DE MEIO FUNDO

Jolmerson Carvalho1
Paulo Cesar do Nascimento1
Juliano Fernandes da Silva2
Juliano Dal pupo1
Francimara Budal Arins1
Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo1

1Laboratório de esforço físico – LAEF; Universidade Federal de Santa Catarina.
2Universidade Federal de Alagoas.

INTRODUÇÃO: O conhecimento sobre os índices fisiológicos que interferem na performance de corrida é de extrema importância para os preparadores físicos, treinadores e atletas envolvidos com as provas de meio fundo no atletismo. OBJETIVO: O objetivo do presente trabalho foi verificar quais as variáveis fisiológicas podem explicar a performance nas provas de 800 m e 1500 m. MATERIAIS E MÉTODOS: Dez atletas (idade = 17,6 ± 1,4 anos; estatura = 171,0 ± 8,7 cm; massa corporal = 63,7 ± 10,7 kg) especialistas nas provas de 800 m e 1500 m realizaram em dias diferentes duas provas simuladas de 800 m e 1500 m (após 24 h). Na segunda visita, foi realizado um teste incremental em esteira rolante para determinar o consumo máximo de oxigênio (VO2max) e a velocidade referente ao VO2max (VVO2max) indicadores de potência aeróbia. Na terceira visita os indivíduos realizaram um protocolo de saltos com contra movimento (coutermovement jump - CMJ) em uma plataforma de força para determinar a capacidade neuromuscular. Após um período de recuperação (45 min) os sujeitos realizaram uma carga até a exaustão na intensidade referente a 100% da VVO2max para determinar o tempo limite de exaustão (Tlim) indicador de capacidade anaeróbia. Utilizou-se a análise de regressão linear múltipla stepwise para determinar quais destes índices fisiológicos estariam explicando a variação da performance. Adotou-se o nível de significância de 5%. RESULTADOS: Os resultados são apresentados na tabela 1.


Observamos que ~54% (R2 ajustado = 0,536) da variação da performance nos 800 m foi explicada pela VVO2max e que as outras variáveis não tiveram poder de predição para esta prova. Ainda, pudemos observar que ~66% (R2 ajustado = 0,663) da variação da performance da prova de 1500 m foi explicada pela VVO2max e que, ~24% foi relacionada ao VO2max. Os dois índices juntos explicaram por volta de 90% (R2 ajustado = 0,902) da variação da performance desta prova para a presente amostra. Vale ressaltar que o Tlim e o CMJ não tiveram poder de predição para o 1500 m. CONCLUSÃO: Concluímos que a potência aeróbia máxima demonstrou ser a principal responsável pelo desempenho nas provas de meio fundo, entretanto no 800 m existem outros fatores intervenientes que não foram averiguados no presente trabalho.

Um abraço a todos, fiquem com Deus e até a próxima!

domingo, 16 de novembro de 2014

O EFEITO DO EXERCÍCIO PRÉVIO NA CORRIDA DE ALTA INTENSIDADE EM JOGADORES DE FUTSAL

Paulo Cesar do Nascimento1
Anderson Santiago Teixeira1
Luiz Guilherme Antonacci Guglielmo1

1Laboratório de Esforço Físico – LAEF; Universidade Federal de Santa Catarina.


INTRODUÇÃO: O consumo de oxigênio (VO2) mensurado a nível pulmonar reflete as mudanças no metabolismo oxidativo nos tecidos ativos. Dessa forma, a análise do VO2 tem grande importância para avaliar em conjunto as capacidades cardiorrespiratórias e musculares. OBJETIVO: Este estudo buscou analisar o efeito do exercício prévio sobre a cinética de VO2 durante a corrida de alta intensidade. MATERIAIS E MÉTODOS: Participaram deste estudo 13 jogadores de futsal do sexo masculino (Idade: 22,8 ± 6,1 anos; massa corporal: 76,0 ± 10,2 kg; estatura: 178,7 ± 6,6 cm; VO2max: 58,1 ± 4,5 ml.kg.min-1) que realizaram um teste incremental máximo em esteira rolante para determinar o primeiro limiar ventilatório (LV) e o VO2 máximo (VO2max).

 Em dois dias diferentes, os indivíduos realizaram uma carga constante (2ª carga) de seis min de corrida de alta intensidade (50% da diferença entre o LV e o VO2max, 50%∆) em esteira seis min depois de uma carga idêntica (controle). O tratamento dos dados e os ajustes bi exponenciais da cinética de VO2 foram realizados no programa Origin 8.0. Os dados são apresentados em média ± desvio padrão. O nível de significância adotado foi de 5%. Foi utilizado o teste t para analisar as diferenças entre as variáveis analisadas e o teste Shapiro Wilk para verificar a normalidade dos dados (n<50 nbsp="">

RESULTADOS: Os resultados são apresentados na tabela 1. Os valores obtidos para o LV e o 50%∆ foram 11,0 ± 0,8 km.h-1 e 13,8 ± 1,0 km.h-1, respectivamente.


tp não foi significativamente mais rápido após o exercício prévio. Entretanto, o exercício prévio elevou o VO2rep e a amplitude total, diminuiu o componente lento e acelerou a resposta total da cinética de VO2 (i.e., MRT). CONCLUSÃO: Parece ter havido alterações no padrão de recrutamento de unidades motoras (um direcionamento a fibras mais eficientes – tipo I) e na fadiga muscular considerando as mudanças nas amplitudes do VO2 (e.g., CL). Porém, o consumo muscular de O2 ­parece não ter sofrido modificações visto que o exercício prévio não acelerou a constante tempo do componente primário, sendo que, os atletas da presente amostra já apresentavam valores relativamente rápidos para esta variável.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

BIOENERGÉTICA - Produção de energia e Glicólise

Quero compartilhar com vocês o conteúdo da aula que ministrei na disciplina de Adaptações Orgânicas ao Exercício. Essa disciplina é ministrada pela professora Dr. Rosane Carla Rosendo da Silva no Centro de Desportos da UFSC para a turma da 3ª fase. Neste semestre estou realizando meu estágio docência de doutorado na disciplina.

Clique no link acima e visualize toda a apresentação.







Fiquem com Deus, abraços e até a próxima.

domingo, 31 de agosto de 2014

Quais os mecanismos fisiológicos que podem explicar a performance em uma prova de 1500 m?

O conhecimento sobre os índices fisiológicos que interferem na performance de corrida é de extrema importância para os preparadores físicos, treinadores e atletas envolvidos com as provas de meio fundo no atletismo. Saber quais os fatores físicos poderá estar relacionado a um bom tempo no final da prova é uma meta de todos. Dessa forma buscamos em nosso laboratório (LAEF – laboratório de esforço físico) avaliar se diferentes variáveis fisiológicas relacionadas aos aspectos da capacidade e potência aeróbia, da capacidade anaeróbia e/ou aos aspectos neuromusculares poderiam estar explicando a performance da prova de 1500 m em 10 meio fundistas.
Estes atletas (idade = 17,6 ± 1,4 anos; massa corporal = 63,7 ± 10,7 kg) obtiveram um tempo na performance da prova simulada de 1500 m de 260,3 ± 11,9 s. Em um outro dia, visitaram nosso laboratório para realizar um teste de esforço máximo (incremental). A partir do teste pudemos determinar o consumo máximo de oxigênio (VO2max) indicador de potência aeróbia e o segundo limiar de transição fisiológica (LTF2) indicador de capacidade aeróbia destes indivíduos. Em uma segunda visita os indivíduos realizaram diferentes protocolos de saltos em uma plataforma de força (salto com contramovimento –CMJ e saltos contínuos por um período de 15 s – CJ) para determinar a capacidade neuromuscular e potência anaeróbia. Após um período de recuperação (45 min) os sujeitos realizaram uma carga até a exaustão na intensidade referente a 100% do VO2max para determinar o tempo limite de exaustão (Tlim) indicador de capacidade anaeróbia. Utilizou-se procedimentos estatísticos específicos (regressão linear múltipla stepwise) para encontrar quais destes índices fisiológicos estariam relacionados a performance da prova de 1500 m e poderiam estar explicando um percentual da mesma.

Nossos resultados estão apresentados na tabela logo abaixo.
Assim, podemos observar que ~66% da performance da prova de 1500 m foi relacionada (explicada) a velocidade referente ao VO2max. Ainda, ~24% foi relacionada ao VO2max. Os dois índices juntos explicaram por volta de 90% da variação da performance do 1500 m para nossa amostra. Vale ressaltar que a capacidade aeróbia e neuromuscular, bem como a potência e capacidade anaeróbia (pelo menos as variáveis utilizadas neste estudo) não tiveram poder de predição. Concluímos que a potência aeróbia demonstra ser (pelo menos na presente amostra) a principal responsável pelo desempenho neste tipo de prova.

Fiquem com Deus e até a próxima. Abraços.

A prática de exercícios físicos para melhorar a capacidade de trabalho.




No link logo acima vocês terão acesso a todo o conteúdo da palestra criada no Prezi. Abraços a todos e até a próxima!