sexta-feira, 12 de março de 2010

TESTE FÍSICO/TÉCNICO ESPECÍFICO PARA O FUTSAL

Após um longo período de “silêncio” no blog, e depois de um período de férias na ativa, um pouco conturbada, mas também merecida, quero retomar com uma breve sugestão de avaliação para nossa modalidade.
Esta tem como objetivo uma avaliação mais completa com aspectos físicos e técnicos/táticos, de uma forma global incluindo os componentes técnicos básicos com uma movimentação semelhante ao que ocorre durante o jogo e certo nível de acidose.
Antes de discutir melhor o assunto, a figura a seguir ilustra a forma de realização do teste.


Bom, vamos desvendar agora a complexa ilustração do teste. Pode-se dividir o teste em 3 partes: parte inicial com ênfase no esforço físico. A segunda e a terceira parte, com mais ênfase na técnica do passe e chute respectivamente. O raio significa o ponto de inicio do teste. As carinhas são os jogadores (as). O (a) atleta inicia o teste com deslocamento para sua direita, o caminho a ser percorrido esta demarcado pelos triângulos estrategicamente posicionados em lugares onde poderia estar um jogador no caso do sistema 3x1. À distância entre os triângulos (na prática discos ou cones) é de 10 metros.
Depois do primeiro deslocamento para direita o jogador muda de sentido e corre até o próximo disco (posição pivô), contornando e voltando pelo mesmo caminho até o ponto inicial. Muda de sentido e corre em direção a ala esquerda passando pelo disco e correndo até o disco “pivô”. Retorna pelo caminho da ala esquerda chegando ao ponto de inicio novamente.
Até então, o (a) atleta realizou uma corrida de 80 metros, dividido em 8x de 10 metros com 7 mudanças de sentido, caracterizando um esforço anaeróbio alático e lático. O tempo deve ser coletado a cada 40 metros.
A partir desse ponto, começa a segunda parte com ênfase na realização correta do fundamento passe. Serão 4 passes ao todo. O primeiro já é realizado no ponto inicial onde está o disco ‘fixo’ (vamos nomear didaticamente dessa maneira). O “T” no centro da quadra significa o treinador que deve passar a bola aos atletas durante essa parte do teste. Os (as) atletas dominam a bola, realizam o passe de volta ao treinador e correm ao próximo disco (ala direita). Executam outro passe e assim sucessivamente até chegar ao disco da ala esquerda. O passe é classificado pelo conjunto de ações e classificado em um score de 0-3. Será considerado o domínio correto, a força correta aplicada ao passe e se o passe foi em linha reta para o treinador. A distância total percorrida nessa parte será de 30 metros.
Por fim a terceira parte do teste será a fase de chutes a gol. Posicionado no disco da ala esquerda após realizar o quarto passe o atleta receberá a bola passada pelo treinador nesta mesma ala para executar a primeira finalização.
O “T” situado no canto esquerdo da figura significa o outro treinador necessário para a realização do teste. Este deve passar a bola próxima ao centro da quadra ofensiva (marca dos 10 metros) para a execução da segunda finalização. Após o chute o (a) atleta deve posicionar-se próximo da ala direita para realizar a terceira e ultima finalização a gol.
As finalizações serão classificadas em um score de 0-3 também, sendo a FF= finalização fora (FF= 0); FD= finalização defendida (FD= 1); FT= finalização na trave (FT= 2); GOL= 3.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

UFSC campeã da Liga Regional de Florianópolis 2009


No último fim de semana, sábado dia 05 de dezembro de 2009, o time feminino de Futsal da UFSC sagrou-se campeã da Liga regional da grande Florianópolis, vencendo na final o time do Scorpions pelo placar de 2 x 1. O jogo aconteceu no ginásio I do Centro de Desportos da UFSC. Com um começo nervorso e disputado, onde a equipe do Scorpions saiu na frente do placar em um chute a gol que acabou infelizmente desviando na fixo Camila (nº 8) aos 5 minutos de jogo. Ainda aos 9 minutos do primeiro tempo a UFSC alcançou o empate com um gol da pivô Isis (nº 9) em uma bela jogada trabalhada em contra ataque.
No 2º tempo as duas equipes estavam mais cansadas e ansiosas para alcançar a vitória, entretanto a equipe do Scorpions pecou na indisciplina estorando o limite de faltas e, faltando 10 segundos para terminar a partida a própria Camila que protagonizou o 1º gol adversário marcou um belo gol de tiro livre dos 10 metros. O Scorpions ainda tentou um ultímo ataque que a goleira Dani da UFSC defendeu, a bola tocou na trave e foi pra escanteio.
Foi muita emoção dentro de quadra e na arquibancada com a equipe toda exclamando: É CAMPEÃO!


Parabéns a toda equipe, pelo trabalho e dedicação ao longo desta temporada, este título vem coroar um ano de muito empenho. Vocês demonstraram a força da equipe e acredito que em 2009 temos muito o que colher!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

RELAÇÃO ENTRE ÍNDICES FISIOLÓGICOS INDICADORES DE POTÊNCIA AERÓBIA OBTIDOS NOS TESTES DE CAMPO E LABORATÓRIO EM JOGADORES DE FUTSAL

Introdução: Por ser um esporte caracterizado pela combinação de ações de grandes intensidades, intercalados com períodos de recuperação variáveis durante o tempo total da partida, o futsal sob o ponto de vista fisiológico, é uma modalidade que exige dos jogadores um tempo expressivo de sustentação na potência aeróbia máxima durante as partidas. Desta forma, a identificação de variáveis capazes de estimar a potência aeróbia dos atletas de futsal pode contribuir de forma decisiva para que a comissão técnica elabore um programa de treinamento adequado, que potencialize o desempenho da equipe. Porém, a avaliação realizada em laboratório possui elevado custo financeiro, e não atende a especificidade do esporte. Dessa forma, é crescente a utilização de metodologias indiretas para a estimativa de índices fisiológicos a partir de testes de campo. Assim, o presente estudo objetivou comparar o pico de velocidade (PV) obtido no teste incremental de corrida intermitente (TCAR) com a intensidade de exercício associada ao consumo máximo de oxigênio (IVO2max) obtida no teste incremental em esteira (TIE). Métodos: Participaram deste estudo 12 jogadores de futsal masculino da categoria sub20 (idade = 18,6±0,4 anos; estatura = 173,4±4 cm; massa corporal = 68,4±5,4 kg; gordura corporal = 13,6±3,6 %). Para mensurar a IVO2max os atletas foram submetidos ao TIE, com velocidade inicial de 9 km.h-1 e 1% de inclinação com incrementos de 1,2 km.h-1 a cada 3 min até a exaustão voluntária. O VO2max foi mensurado respiração a respiração durante todo o procedimento a partir do gás expirado pelo analisador de gases portátil COSMED (modelo K4 b2). Para determinação do PV os atletas realizaram o TCAR, constituído de multi-estágios de 90 s de duração em sistema “ida-e-volta”, com 5 repetições de 12 s de corrida, intercaladas por 6 s de caminhada. O teste iniciou com velocidade de 9,0 km·h-1 (distância inicial de 15 m) com incrementos de 0,6 km·h-1 a cada estágio até a exaustão voluntária, mediante aumentos sucessivos de 1 m a partir da distância inicial. A normalidade dos dados foi verificada por meio do teste de Shapiro-Wilk. Para determinar a correlação das variáveis VO2max e IVO2max com o PV utilizou-se a correlação linear de Pearson, adotando um nível de significância de 5%. Resultados: Os valores encontrados de PV, VO2max e IVO2max foram 16,47±1,04 km.h-1, 61,1±4,7 mL.kg.min-1 e 15,10±1,03 km.h-1, respectivamente. Observou-se correlação significativa do PV com as variáveis VO2max (r=0,71) e IVO2max (r= 0,91). Conclusões: O PV pode ser considerado um índice fisiológico capaz de predizer a potência aeróbia. Além disso, o TCAR parece ser o método mais adequado para ser utilizado nas avaliações físicas de atletas de futsal, visto a sua maior especificidade com a modalidade.

Palavras chave: futsal, potência aeróbia, prescrição de treinamento.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ANÁLISE DAS RESPOSTAS FISIOLÓGICAS DE ATLETAS PROFISSIONAIS DE FUTSAL DURANTE OS COLETIVOS: UM ESTUDO DE CASO

Por Francimara Budal Arins, Mestranda em Educação Física, CDS - UFSC.
O futsal, esporte amplamente difundido no Brasil e praticado em mais de 100 países, já satisfaz às exigências do Comitê Olímpico Internacional para ser reconhecido como esporte olímpico. Embora tenha alcançado status mundial, existem poucos estudos disponíveis sobre as variáveis fisiológicas na literatura científica. Assim, este estudo teve como objetivo caracterizar as respostas fisiológicas de atletas profissionais de futsal durante o treinamento coletivo, de acordo com a posição tática desempenhada (goleiro, fixo, alas e pivô). A amostra da pesquisa foi composta pelos cinco jogadores titulares da equipe de futsal masculino da categoria adulto da Associação Desportiva Colegial (ADC) de Florianópolis. Os atletas foram avaliados por um teste ergoespirométrico, que forneceu valores de consumo de oxigênio, freqüência cardíaca e quociente respiratório. Esses valores foram utilizados para gerar equações de regressão a fim de estimar o gasto calórico dos coletivos e também inferir a intensidade de trabalho. Durante os coletivos, os atletas tiveram sua freqüência cardíaca mensurada por meio de um monitor modelo Polar S610i®. Os resultados obtidos mostraram que, em relação ao comportamento da freqüência cardíaca, as curvas dos quatro atletas de linha (fixo, alas e pivô) apresentaram semelhança. Somente o goleiro apresentou valores inferiores, devido a menor movimentação, o que é inerente a sua posição tática. Quanto à intensidade de esforço, expressa tanto em relação ao percentual da freqüência cardíaca máxima ou segundo as cinco zonas de intensidade de exercício apresentada em Foss et al (2001), o goleiro é o menos exigido (leve e moderado), enquanto que os alas e o fixo têm seu desempenho em níveis mais intensos (árduo e exaustivo). Os valores totais de gasto calórico mostraram semelhança entre os alas e fixo (aproximadamente 305 kcal), enquanto que o pivô, dentre os jogadores de linha, apresentou os valores menores (aproximadamente 205 kcal). Conforme o esperado, os valores de gasto calórico encontrados para o goleiro (aproximadamente 85 kcal) foram inferiores aos demais jogadores. Esses dados fornecem informações importantes sobre as cargas de trabalho que os atletas de futsal são submetidos no treinamento, auxiliando no planejamento e controle da estruturação de um programa individualizado que se adeque às posições táticas.

Palavras-chave: Futsal, intensidade de trabalho, gasto calórico

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

COMPARAÇÃO DE ÍNDICES FISIOLÓGICOS OBTIDOS POR DIFERENTES MÉTODOS DURANTE TESTES DE CAMPO E LABORATÓRIO EM JOGADORES PROFISSIONAIS DE FUTSAL

Por Naiandra Dittrich, formada em Educação Física pela UFSC, participante do grupo de pesquisa do laboratório de Esforço Físico - LAEF/UFSC.
O futsal caracteriza-se pela combinação de ações de elevadas intensidades, intercaladas com períodos de recuperação. Por isso, é uma modalidade de natureza equilibrada, pois depende tanto de variáveis relacionadas ao metabolismo aeróbio quanto anaeróbio. A identificação das exigências fisiológicas impostas aos jogadores durante as partidas de futsal são fundamentais para a elaboração da periodização de treinamento da equipe durante a temporada. Estes índices podem ser obtidos por meio de avaliações de laboratório ou de campo. Entretanto, uma avaliação laboratorial com metodologia invasiva é dispendiosa, tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista do tempo necessário para avaliar um grande número de sujeitos, em virtude da dificuldade de avaliá-los simultaneamente. Dessa forma o objetivo deste estudo foi comparar os índices fisiológicos relativos à capacidade e a potência aeróbia obtidos em teste de laboratório em esteira com os obtidos no teste de campo TCAR. Participaram do estudo onze jogadores profissionais de futsal (25,2 ± 4,26 anos, 74,7 ± 8,75 kg, 176,7 ± 6,89 e 9,8 ± 3,40% de gordura). Os atletas realizaram um teste incremental em esteira rolante (TIE) e um intermitente de campo (TCAR). O TIE iniciou em 9,0 km.h-1 (1% de inclinação) com incremento de 1,2 km.h-1 a cada 3 minutos (30s de pausa). Nesse teste foi identificado o segundo limiar de transição fisiológica (LTF2) por quatro diferentes métodos: 1) concentração fixa de 3,5 mmol.l-1 (vOBLA), 2) Dmáx na curva de lactato sanguíneo (vCheng), 3) menor relação [la] e carga, adicionando-se 1,5mmol.l-1 (vBerg), 4) carga anterior ao segundo incremento na [la] consecutiva maior que 0,5 mmol.l-1 (vBaldari). O TCAR possui multi-estágios de 12s de corrida de ida e volta com pausas de 6s, velocidade inicial de 9,0 km.h-1 (incrementos de 0,6 km.h-1 a cada 90 segundos) e ritmo determinado por sinais sonoros. Nesse teste foi determinado o PV e o LTF2 foi predito por três diferentes métodos: 1) inspeção visual da FC (PDFCv), 2) distância máxima da curva de FC (Dmáx), 3) percentual fixo de 80,4% do PV (v80,4). Foi empregada a análise descritiva (média, desvio-padrão e coeficiente de variação) para apresentação dos resultados e o teste de Shapiro-Wilk para verificar a normalidade dos dados. Para comparar as variáveis fisiológicas relativas a capacidade e potência aeróbia através de diferentes métodos foi aplicada a análise de variância (ANOVA) para medidas repetidas, complementada pelo teste de Bonferroni. A correlação foi determinada por meio de Pearson para dados normais e spearman para não normais. A vVO2max (16 ± 1,0 km.h-1) obtida no TIE não apresentou diferença significativa com o PVtc (16,1 ± 1,0 km.h-1), já o PVtc e o PVtie (17,0 ± 1,0 km.h-1) apresentaram diferenças significativa e foi encontrada uma forte correlação entre eles (r=0,830). Os valores de FCmax atingidos no TIE (186bpm) e no TCAR (188bpm) não foram significativamente diferentes e apresentaram elevados valores de correlação (r=0,84). Entre os diferentes métodos relativos a capacidade aeróbia não foram encontradas diferenças significativas (vOBLA= 13,7 ± 0,8, vCheng= 13,4 ± 0,9, vBerg= 13,4 ± 0,8, vBaldari= 13,0 ± 1,1, PDFCv= 13,4 ±0,7, Dmáx= 13,3 ± 1,1, v80,4= 12,9 ± 0,8). Esses resultados apontam o TCAR como um teste de campo válido que possui características intermitentes, necessita menor custo financeiro e ainda possibilita avaliações simultâneas para identificar importantes índices fisiológicos referentes a potência e capacidade aeróbia, intensidades que são fundamentais para controle e prescrição de sessões de treinamentos.

Palavras chave: potência aeróbia, capacidade aeróbia, futsal.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Conhecimento dos Técnicos de Modalidades Coletivas acerca da relação entre Ciclo Menstrual e Rendimento Esportivo

Por André Justino dos Santos Costa, professor de Educação Física, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina.

O treinamento esportivo engloba diversas facetas as quais o técnico precisa estar atento na composição do seu planejamento. No caso do profissional que trabalha com equipes esportivas femininas é importante compreender uma série de aspectos específicos que afetam o desempenho de maneira positiva ou negativa. Um desses aspectos é o ciclo menstrual e suas relações com o desempenho. O presente trabalho teve como objetivo investigar o nível de conhecimento dos técnicos de equipes femininas de modalidades coletivas e individuais acerca da influência do Ciclo Menstrual no desempenho das atletas e as estratégias utilizadas por eles para potencializar ou inibir esses efeitos no treinamento. Fizeram parte do estudo 20 técnicos, escolhidos de forma intencional, de equipes femininas universitárias de esportes coletivos (Futsal, Voleibol, Handebol e Basquetebol), com sede no estado de Santa Catarina e participantes das Olimpíadas Universitárias Catarinenses – Joinville / 2006. Para a realização do estudo foi elaborada uma entrevista estruturada. Os dados foram tratados mediante a estatística descritiva, com a utilização de freqüência simples. O primeiro objetivo específico do estudo foi identificar o conhecimento dos técnicos sobre o Ciclo Menstrual regular, no que pôde ser constatado que a maioria dos entrevistados não conhece e não promove um acompanhamento desta variável no cotidiano dos treinamentos, inclusive não observando os sintomas mais evidentes das variações típicas do ciclo. O segundo objetivo específico foi identificar o conhecimento dos técnicos sobre as modificações em nível orgânico decorrentes do ciclo, e ficou evidente que, em virtude de não acompanharem de maneira sistemática o ciclo menstrual, não há condições de associar quaisquer modificações ao ciclo. Alguns técnicos, no entanto, já notaram alterações em suas atletas. O terceiro objetivo consistia em identificar o conhecimento dos técnicos sobre as alterações orgânicas no desempenho, e nesse quesito, poucas alterações foram notadas, colaborando com a conclusão de parte da literatura, para a qual as alterações orgânicas em geral não são suficientes para alterar o desempenho esportivo. Com relação ao quarto objetivo específico, investigar o conhecimento dos técnicos sobre a influência do treinamento sobre o ciclo menstrual, a maioria dos técnicos admite não ter notado diferenças orgânicas e também metade não tem conhecimento nenhum sobre os distúrbios que podem acometer a saúde reprodutiva da mulher. O último objetivo específico visava a identificação das iniciativas dos técnicos para adequar o treinamento às necessidades das atletas durante as diferentes fases do ciclo menstrual. Neste aspecto a maior parte admite não promover nenhuma alteração nos treinos, e dentre aqueles que efetuam adaptações, a maior parte não planeja e nem exerce muito controle sobre elas.
Esta pesquisa constata que muitos dos técnicos entrevistados não atentam para os aspectos orgânicos de suas atletas e não conhecem o funcionamento do ciclo menstrual, nem as suas conseqüências para a saúde e para o rendimento dessas mulheres. Por fim, as estratégias de treinamento precisam ser mais bem estudadas tendo em vista as necessidades das mulheres durante as diferentes etapas do ciclo menstrual. Sabe-se, contudo, das dificuldades implícitas nesta tarefa em virtude da enorme variação de reações frente ao ciclo, reações essas que são muito individuais.


Palavras-chave: treinamento, esporte feminino, ciclo menstrual

terça-feira, 7 de julho de 2009

PRINCÍPIOS TÁTICOS DO FUTEBOL APLICADOS AO FUTSAL: A CONTENÇÃO E A COBERTURA DEFENSIVA

Depois de certo tempo em “ofline” digamos assim, com outros artigos como a divulgação do curso para treinadores e a entrevista com o treinador da Unochapecó (Eder Popiolski), gostaria de voltar ao caráter mais científico do blog, o qual é o objetivo principal deste. O assunto é particularmente intrigante para mim, pois quando estava tendo aulas em Portugal na Universidade do Porto, e o professor João Brito da disciplina de futebol dissertava sobre os princípios básicos do futebol eu refletia: Esses princípios são aplicáveis em certa medida ao futsal! Pois bem, já havia escrito a primeira reflexão sobre o assunto e agora quero dar continuação ponderando sobre dois dos princípios defensivos: CONTENÇÃO E COBERTURA DEFENSIVA.
O Futsal, sendo um jogo de constantes movimentações, acaba por ter em diferentes lugares e em vários momentos a aplicação destes dois princípios concomitantemente. Na nossa modalidade em questão, diferente do futebol, os atletas devem ser universais, ou seja, desempenhar ou ter a capacidade de exercer diferentes funções ou posições no diferentes momentos de uma partida (ÁLVAREZ et al., 2008). Dessa forma, o jogador está a todo tempo dentro de quadra, atacando e defendo, sem haver o chamado “tempo morto de jogo”. Em termos relativos, a freqüência cardíaca (FC) de jogadores de futsal permanece acima de 85% da FC máxima para 83% do atual tempo de jogo. Esses valores indicam que para mais de 80% do tempo despendido em quadra, o jogo é desempenhado em atividades muito vigorosas. Entretanto, como os períodos de recuperação são curtos e incompletos, a FC raramente fica abaixo de 150bpm, em contraste com outros esportes como o basquete, futebol, rugby e handebol (ALVAREZ et al., 2008).
Dentro desse contexto, nos diferentes momentos em que uma equipe está defendendo-se, os atletas realizam contenção com objetivo de “roubar” a bola do adversário enquanto um de seus companheiros tem a obrigação de “cobri-lo” realizando a cobertura defensiva. Podemos resumir o futsal em uma visão simplista, que é o objetivo de criar superioridade numérica em determinados locais da quadra, tanto enquanto se está defendendo como quando se está atacando. Dessa forma, o 1x1 ganha uma grande importância dentro de uma partida.
Amaral e Garganta (2003), afirmam que, através do 1x1 no Futsal, uma equipe pode rapidamente provocar o desequilíbrio defensivo do adversário no caso do 1x1 ser bem sucedido, mas, em contrapartida, pode também ela ver-se desequilibrada em termos defensivos, se o 1x1 conduzir à recuperação de bola por parte do adversário. Portanto, a partir do 1x1 uma equipe pode criar ou sofrer uma superioridade numérica momentânea durante a partida, o que pode levar a criação de um ataque e/ou contra-ataque bem sucedido por parte de uma das equipes.
Nesse momento ocorre a necessidade de uma cobertura defensiva eficiente para evitar que o adversário conquiste terreno de jogo. A cobertura pode ser feita por um ou mais jogadores, que além de estarem aplicando os outros dois princípios defensivos, equilíbrio e concentração, precisam estar atentos caso a necessidade do auxilio na cobertura. Pois, quando o atleta que exercer a contenção for driblado ou superado pelo adversário por ter realizado uma contenção mal feita, imediatamente o atleta que realizava a cobertura deve estar pronto para realizar a contenção para dar tempo que seu companheiro superado a alguns instantes se recupere e volte a auxiliar na formação defensiva. Por fim, pode ocorrer uma inversão de papéis e funções em determinado momento de jogo, sendo que, o atleta que exercia determinado princípio passa a executar outro, e pode ocorrer uma total inversão de funções bem como a falha de uma delas, que geralmente termina em gol do adversário. Ressalta-se a importância de os atletas estarem prontos para executar mais de um princípio defensivo durante a partida.
CONTINUA...

ÁLVAREZ, J. C. B.; SOTO, V. M.; ÁLVAREZ, V. B.; GRANDA-VERA, J. Match analysis and heart rate of futsal players during competition. Journal of Sports Sciences, v.26,n. 1, p.63-73,2008.
AMARAL, R.; GARGANTA, J. A modelação do jogo em Futsal. Análise seqüencial do 1x1 no processo ofensivo. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto. V.3: p.298–310, 2003.